Aqui não, violão!

Às 8 e meia da noite de sábado, ou seja, em plena madrugada, uma mega operação policial pôs fim a um famoso ponto de produção e consumo de arte em Curitiba, o Beto Batata.

No bar naquele momento, diversos elementos de idades variadas se divertiam e ouviam música em pleno Alto da XV, bairro nobre da capital paranaense. Diversos idosos, casais e famílias com crianças. Gente sem dúvida de altíssima periculosidade que foi prontamente posta na rua, debaixo de chuva. O efetivo policial que coordenou a operação chegou embarcado em 14 (quatorze) viaturas. Curitiba sem dúvida ficou mais segura. E de fato precisa. No mesmo final de semana foram assassinadas 10 pessoas na capital. Não tenho informação de quantas viaturas foram deslocadas na busca pelos assassinos, mas se para fechar um bar com idosos e crianças são 14 imagino que os Navy Seals (aqueles que mataram o Bin Laden) tenham sido acionados nos casos de homicídio. No mínimo.

Ainda segundo relatos de pessoas presentes no local, ocorria um aniversário de 15 anos. Provavelmente um equivalente local aos bailes funk promovidos pelo Comando Vermelho nos bons tempos do Complexo do Alemão. Enquanto os meganhas apreendiam os brigadeiros e dois amores e escoltavam os meliantes para chuva, acordes do Hino Nacional eram executados pelo pianista subversivo. Um acinte!

Ao que tudo indica a operação foi desencadeada após denúncias de moradores da região. Gente de bem que gosta de dormir depois da novela e sabe que alegria é coisa de gente mal educada, tipo baianos e cariocas. Aqui não, violão! Aqui é terra de gente ordeira e de bem. Quer conversar? Que seja falando baixo, ao pé do ouvido e da vida alheia. Boteco é lugar de vagabundos, maconheiros, artistas, e o resto dessa gentinha.

O bar fica a 50 metro de uma linha férrea por onde trens vão, vem e buzinam (muito) em todos os horários do dia e da noite. As autoridades já estão preparando um projeto que obrigue os maquinistas a passar pelo local de motor desligado, empurrando as composições para não incomodar a vizinhança.

Segundo a prefeitura os protestos realizados no dia seguinte não tem razão de ser, afinal a cidade conta com uma grande gama de opções de lazer para os moradores como passear de ônibus aos domingos ou aproveitar um dos melhores locais para shows do país, a Pedreira Paulo Leminski que anualmente apresenta a Paixão de Cristo. Isso sem contar com o desfile das escolas de samba na Candido de Abreu que dispensa comentários. De fato não dá pra reclamar.

Já a Secretaria de Segurança Pública informa que vem conduzindo uma investigação que promete dar um duro golpe nos principais líderes da facção boêmio-criminosa quem vem praticando atentados contra a ordem pública, a paz e os bons costumes, como a que ocorreu quando uma horda de 5 mil bárbaros tomou a Praça da Espanha de assalto comemorando, pasmem, o Reveillon em março! Um claro indício de que tomavam tóxicos, numa afronta ao poder público, pensando que podem se divertir numa praça sem pedir permissão.

A população respira aliviada e aguarda apreensiva o desfecho das investigações e o restabelecimento da paz e do silêncio depois das sete da noite para que as famílias possam dar boa noite para o Willian Bonner sem nenhuma manifestação de felicidade na vizinhança. Quer ser boêmio, artista ou coisa assim que o faça longe daqui, em São Paulo ou no Rio onde esse tipo de comportamento é aceito. Sempre foi assim e é assim que será para sempre. Aqui não, violão!

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